Desliguei meu rádio às 3h da madrugada, puxei o violão e dedilhei minhas velhas canções, dessas que a gente sente posse. Resgatei os meus grandes heróis, os discos, e fiquei perdido. Puxei na memória as capas dos álbuns, revi um prisma, um arco-íris, não... Continuei pensando, procurei lá no fundo um daqueles solos que a gente assobia pelos dias nas tardes vagas, mas nada mais longo que três assopros.
Imaginei-me daqui a mais 25 anos, pensando nos mesmos discos, na mesma música. Abri uma garrafa de cerveja e me servi de uma dose de whisky. Procurei inspiração. Escutei os três acordes de uns aussies por horas.Corri meus novos álbuns. Sem resposta.
Sentei, terminei outra dose e fechei os olhos. Acho que o tempo está mudando, a música está mudando, estou mudando. O rock está ai, de nova jaqueta de couro e as mesmas calças apertadas, penteado mais caro e sem barba. Mais uma chance, para aqueles que curtem rock (nós os saudamos). Talvez sejamos todos maiores abandonados deste grande carnaval de acordes sob efeito.
Resolvi tentar de novo, colocar novos óculos escuros, lembrar que o rock é atemporal. Desligar minha velha vitrola. Conectar-me. Afinal:
Rock´n roll will never die.
Ouça:
Álbum: Rust Never Sleeps - 1979
